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Varizes nas pernas: quando tratar e quando operar?

Publicado em 9 de fevereiro de 20265 min de leitura

Varizes podem começar como um incômodo “só estético”, mas, em algumas pessoas, viram dor, inchaço, coceira, sensação de peso e até complicações na pele. É comum receber uma indicação de procedimento e ficar na dúvida: “eu realmente preciso operar?”

A boa resposta quase nunca é “sim” ou “não” de cara. A decisão depende dos seus sintomas, do exame físico, do Doppler e do risco de a doença venosa evoluir. Nessa hora, buscar uma segunda opinião médica ajuda a confirmar o diagnóstico, comparar alternativas (inclusive menos invasivas) e entender o melhor momento para tratar.

Varizes: o que define a necessidade de tratar?

Varizes fazem parte de um espectro chamado insuficiência venosa crônica. Em termos práticos, elas podem causar desde desconforto leve até alterações na pele e feridas.

O ponto central é: tratar não é apenas “fechar veias”. O objetivo é aliviar sintomas, reduzir risco de complicações e melhorar qualidade de vida com a opção mais adequada para o seu caso.

De acordo com as recomendações do guideline do NICE, pessoas com varizes sintomáticas (dor, peso, inchaço, coceira, desconforto) ou com sinais de doença venosa mais avançada (alterações de pele, tromboflebite superficial, úlcera venosa) devem ser avaliadas em serviço especializado.

Quando a cirurgia/procedimento costuma fazer mais sentido

Em varizes, “operar” pode significar diferentes procedimentos (endovenosos térmicos, espuma ecoguiada, cirurgia convencional). Em geral, a indicação fica mais forte quando há:

  • Sintomas persistentes que atrapalham rotina (dor, peso, edema), apesar de medidas clínicas bem feitas
  • Alterações na pele compatíveis com insuficiência venosa (escurecimento, eczema, endurecimento)
  • Tromboflebite superficial associada a refluxo venoso
  • Úlcera venosa ativa ou história de úlcera cicatrizada
  • Episódio de sangramento por variz (situação que merece avaliação rápida)

Esses pontos aparecem como critérios de encaminhamento e avaliação no NICE CG168, que também reforça o papel do Doppler para confirmar refluxo e planejar o tratamento.

O Doppler muda a conversa (e pode mudar a indicação)

Muita gente recebe recomendação de “retirar varizes” com base apenas no que aparece na perna. Mas a anatomia do refluxo (por exemplo, em veias safenas e tributárias) é o que direciona a melhor estratégia.

Segundo o NICE, o ultrassom Doppler (duplex) é recomendado para confirmar o diagnóstico e mapear a extensão do refluxo antes de definir o procedimento.

Na prática, a segunda opinião pode avaliar:

  • Se o laudo do Doppler está coerente com os sintomas
  • Se o tratamento proposto trata a “veia fonte” do refluxo ou só tributárias
  • Se há alternativas menos invasivas (ou tratamento em etapas)

Tratamentos: nem sempre “meia” resolve — e nem sempre é cirurgia aberta

A decisão costuma ficar entre medidas clínicas, procedimentos minimamente invasivos e, em alguns casos, cirurgia.

O guideline do NICE descreve, para varizes com refluxo troncular confirmado, uma preferência por técnicas endovenosas (como ablação térmica) e, quando não adequadas, opções como escleroterapia com espuma guiada por ultrassom; deixando a cirurgia como alternativa quando as demais não são adequadas.

No SUS, houve incorporação de técnicas menos invasivas para tratamento de varizes, como a escleroterapia ecoguiada com espuma, conforme notícia do Ministério da Saúde (atualizada em 01/11/2022).

E, do ponto de vista de avaliação de tecnologia, a Conitec tem relatório específico sobre tratamento esclerosante não estético de varizes de membros inferiores, disponível no portal oficial do governo, no site da Conitec (página atualizada em 15/08/2024).

Checklist de “pontos de atenção” antes de aceitar a indicação

Leve estas perguntas para a consulta (e para uma segunda avaliação, se fizer sentido):

  1. Meu quadro é estético, sintomático ou já tem sinais de insuficiência venosa avançada?
  2. O Doppler confirma refluxo? Em quais veias? Isso explica meus sintomas?
  3. A proposta é tratar a causa (refluxo troncular) ou apenas as veias visíveis?
  4. Quais são as alternativas (endovenoso, espuma ecoguiada, cirurgia convencional) e por que esta foi escolhida?
  5. Quais riscos e efeitos esperados: dor, manchas, tromboflebite, recidiva, necessidade de mais sessões?
  6. O que muda se eu adiar 3–6 meses? Há sinais de urgência (sangramento, úlcera, piora rápida)?

Esse roteiro reduz a chance de você aceitar um procedimento “no automático” e ajuda a alinhar expectativa com resultado.

Onde a segunda opinião médica entra de forma decisiva

Varizes têm várias técnicas possíveis, e dois médicos podem propor caminhos diferentes com base no mesmo Doppler — sem que um esteja “errado”. A diferença costuma estar em experiência com métodos, leitura do exame, prioridade (sintomas vs estética) e avaliação do risco.

A segunda opinião médica é especialmente útil quando:

  • Você recebeu indicação de procedimento, mas não entendeu bem o porquê
  • Há dúvidas se o quadro é principalmente estético ou já é insuficiência venosa relevante
  • O tratamento proposto parece agressivo para sintomas leves
  • Você tem comorbidades (obesidade, histórico de trombose, limitação de mobilidade) e quer avaliar riscos

Não é “desconfiar do médico”. É buscar mais clareza para decidir com segurança, com base em evidências e no seu contexto.

Quando procurar avaliação com mais urgência

Procure atendimento mais rápido se houver:

  • Sangramento por variz
  • Ferida na perna que não cicatriza (suspeita de úlcera venosa)
  • Dor e endurecimento em trajeto de veia superficial (pode sugerir tromboflebite)
  • Inchaço importante e assimétrico na perna, especialmente com dor (precisa descartar trombose)

Nesses cenários, o objetivo é evitar complicações e acelerar o diagnóstico correto.

Fontes e Referências

  1. 1
    NICE — Varicose veins: diagnosis and management (CG168)

    Recomendações baseadas em evidências sobre encaminhamento, Doppler e opções de tratamento para varizes.

  2. 2
    Ministério da Saúde — SUS incorpora técnicas modernas para tratar varizes (01/11/2022)

    Contexto de oferta de técnicas menos invasivas no SUS e orientação geral sobre varizes.

  3. 3
    Conitec — Relatório de Recomendação nº 247: Tratamento esclerosante não estético de varizes de membros inferiores

    Avaliação oficial de tecnologia em saúde sobre tratamento esclerosante para varizes no SUS (página atualizada em 15/08/2024).

  4. 4
    NICE — Quality standard QS67: Varicose veins in the legs

    Padrões de qualidade para cuidado e manejo de varizes, reforçando avaliação e cuidado adequado.

Ficou em dúvida sobre a indicação de procedimento para varizes?

Uma segunda opinião pode revisar seu Doppler, comparar opções (incluindo menos invasivas) e esclarecer riscos e benefícios antes da decisão.

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